é que meu nome é um só

Uma quarta-feira, 6 de julho friazinha que clamava pelas férias, que até faxina faria só pra prorrogar o término das obrigações. Uma tarde com um filme chato passando na TV, um sentimento de “mamãe, hoje vou fazer um foguete, me passa aquele celular velho que vou desmontar pra ver que que tem lá dentro que faz aquilo vender tanto, já experimentou suco de coentro com vagem e chantilly?”, já havia alguns “estudos” com uns negativos antigos com fotos em lente macro de texturas do corpo, além de textos sobre a autor representação, a profundidade da imagem, um poema do Mário de Andrade, então, veio o scanner. (abaixo, tá uma das primeiras imagens desses estudos)

Nas férias de janeiro desse ano e durante o primeiro semestre, eu havia lido umas coisas que ficavam apitando na cabeça. “O retrato de Doryan Gray” de Oscar Wilde, “O Existencialismo é um Humanismo” de Jean-Paul Sartre, “O ser e o Tempo” de Martin Heidegger”, “A Obra de Arte na era de sua reprodutibilidade técnica” de Walter Benjamin e “O inconsciente óptico e o segundo obturador” de José Luís Brea.

Do Sartre veio a criação de uma essência através de uma existência pelo escaneamento, que, na verdade, ultrapassou uma criação consciente, indo rumo a uma descoberta de uma outra eu que nem sabia se existia ou se existe. Mostrando-se como exercício de visão do outro.

Sobre o nome. Meu nome é um só, mas sou várias, isso é, eu sempre estou e não sou, e então, no conjunto dos meus estados, eu sou várias.  Daí é que veio o fato de não gostar do verbo ser. Como não gostava de me descrever com palavras, então me escaneei; e mesmo com método tão tomado como documental, não foi representação que consegui.

Foram então feitas 10 imagens nessa mesma tarde, todas elas usaram como matéria-prima imagens escaneadas de meu próprio rosto (o scanner tava na sala, foi divertido), as imagens foram scanneadas e as texturas conduziram suas montagens no photoshop. Apesar de não gostar muito de conduzir o olhar, existe uma linha que atravessa os trabalhos, vou colocar as fotos na sequência, acho que ficará clara a intenção.

Dá pra ver elas maiores aqui.

Assim, me mostro em variados ângulos, não sendo esses os únicos, mas dizendo que vario e que o olhar não é pleno, assim como eu.

Carol Neumann

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