Epilepsia 1.

MC Mangusto, Reverendo Lontra

Diário de Gravações, 2013, por Henrique Iwao.

1. Agendamento e planos

Em dezembro de 2012 planejamos gravar um álbum em estúdio. Por afinidade e praticidade, escolhemos o espaço audiorebel . Para aproveitar o meu deslocamento ao Rio de Janeiro [estaria morando em Belo Horizonte; trabalhando na escola Oi Kabum! como educador na área de música, som e áudio], ou seja, porque assim preencheríamos o tempo, mostraríamos nossa música ao público e ainda evitaríamos ensaiar, queríamos marcar shows, antes e entre os dias de gravação.

2012-09-05 ensaio epilepsia + matthias koole (sarpa)

Aqui vale um parênteses: o Epilepsia evita ensaios. Ele já ensaiou, creio que uma vez, quando tocamos com Matthias Koole na própria Audiorebel, dia 06 de setembro de 2012 <foto acima>. De resto, é um duo que não gosta nem preza por ensaios. Na verdade, poder-se-ia dizer, é um duo bastardo: Lontra como um versão livre e improvisativa do J.-P. Caron do -notyesus>; Mangusto como a dimensão agressiva e maníaca do Henrique Iwao de P-Blob VVA, trabalho feito com Marcelo Muniz (e Danilo Barros no vídeo).

Havendo a perspectiva de um rápido entrosamento, em meio a shows, descartamos facilmente ensaios. Na ocasião do planejamento das gravações, um dia de ensaio no meio da semana acabou se transformando em um dia de gravação. O fato de termos marcado shows era suficiente para nos entrosar para a fatura do álbum. E depois, não haveria composições neste, mas apenas “o que sempre fazemos”: a improvisação com ruídos e luzes que começa com estrobos piscando e som de baixa intensidade; adiciona então camadas de ruído, e cresce em intensidade. Isso pode parecer vago, mas essa descrição vaga, acrescida de experiências concretas quanto “ao que sempre fazemos”, é suficiente para garantir também a identidade musical do duo, mesmo que, ouvindo as gravações e lembrando das ocasiões, as apresentações sejam diferentes. São diferentes, tem inclusive participações especiais, ou uso de instrumentos que não tinham sido ainda usados, ou mais longas ou mais curtas, mas ainda assim, carregam essa identidade que é o estágio atual, ou: ainda é o estágio atual, do Epilepsia. Epilepsia toca Epilepsia. Queremos registrar isso. O duo que começou em um aniversário meu como uma brincadeira, uma improvisação despretensiosa. Começou porque aquele acontecimento tinha uma potência, uma força; porque gostamos do vídeo documental

Para acertar as datas de gravação foram 25 e-mails, entre eu e Jean-Pierre, de 13 de dezembro até 12 de janeiro. O primeiro e-mail de JP falava de preços por hora de ensaio e de gravação, da Audiorebel. O segundo dizia que Zenícola, do CCP queria marcar um show conosco, na quinta mesma da gravação, na própria Audiorebel, na série de shows Quintavant. Nessa época, ainda achava que teria de ir ao Rio, mas voltar para Belo Horizonte para trabalhar, ou seja, que teria de fazer o trajeto duas vezes. Na verdade, eu consegui dispensa para ficar 10 dias seguidos no Rio de Janeiro, e compensei as horas não trabalhadas em outros dias de janeiro, quando em BH. Como as passagens de avião estavam caras demais [mais de 200 reais], fui e voltei de ônibus.

Perguntei se, ao ficarmos montando (eu demoro de 40 a 90 minutos para montar minhas coisas, dependendo), pagaríamos também os honorários referentes à gravação ou podíamos pagar como se fosse uma hora de ensaio. Perguntei também quantas horas por dia ele achava necessário e quantos dias. Dia 15 JP disse: “acho que podemos marcar um dos fins de semana só para ensaios e o outro para gravações. Que tal umas duas horas?”. Como demorei a responder, no dia 17, me escreveu de novo: “Recebeu as infos??”. Respondi no mesmo dia, não acrescentando muito: “oi, seria então dias 11-13 ensaio [na audio rebel ou em outro local?] e na outra semana gravação. e duas horas é o tempo de montar e arrumar mics etc [lembre-se de vértebra, por exemplo]. tem de perguntar se tempo de montagem é mais barato ou se eles são ágeis com isso [eu mesmo, vc sabe, não sou muito]. dito isso, faríamos 2 seções por dia? ou seria mais picotado e mais focado?”

JP, em seguida: “Provavelmente pagamos pelo tempo de montagem, como foi comigo e com o Fenerich em Mulher Gostosa no início do ano, pois o que conta para eles é o fato de estarmos ocupando a sala por aquele tempo. Por isso acho sábio por exemplo, reservamos um tempo de “ensaio” para as montagens. Por exemplo, pegamos antes de cada gravação, uma hora de “ensaio”, para pelo menos termos o setup pronto. E, uma vez tendo isso pronto e passado, inicia-se a contagem do tempo de gravação. Para gravação, imagino que após alguns ensaios, umas duas horas ou três seriam suficientes.” E logo em seguida, outro e-mail: “Mas precisamos decidir esse cronograma logo, para eu falar com os caras.”

Seguem perguntas sobre se o show no Plano-B iria rolar, ou não. Na mesma semana que o possível show com o CCP seria inviável, por uma política de ocupação do Plano-B em relação a outros espaços. Dias 17 e 18 de janeiro: ou um (Quintavant, na Audiorebel, quinta-feira), ou outro (Plano-B Live Sessions, no Plano-B, sexta-feira). Ainda no 17 de dezembro, respondo com uma proposição de cronograma: “1. show no plano b dia 11? 2. geni dia 12; 3. quintavant dia 17; 4. ensaios onde quando? 5. gravação quando de que horas a que horas? [1h ensaio + 2h gravação] x 2.”

No ínterim havia falado com Carolina de Paula e ela disse, via facebook que estava organizando um evento chamado Joga Arte na Geni, em um espaço/apartamento (é o que eu tinha entendido, ao menos). Pela conversa, pesquei que iríamos tocar num corredor ou algo assim. Pensei que seria bom, quanto mais shows melhor, mesmo que seja um espaço pequeno e/ou zoado, se tiver a bancada, as tomadas, caixas de som e amps, beleza! (ademais a companhia de amigos parecia garantida). Tinha também pensado: ora, tocamos no Plano-B, mas uma semana antes.

JP respondeu que iria tentar marcar o show no Plano-B, que topava tocar na Geni, que Quintavant dependia de confirmação por parte do CCP, que era bom ensaiarmos e gravarmos nos mesmos dias e que as datas disponíveis eram dias 12, 13, 19 e 20 de janeiro. Em seguida, um pouco contraditoriamente, escreveu: “vc acha necessárias duas sessões de gravação de duas horas cada? Pensei em só ensaiar num fim de semana e gravar no outro. O ensaio servindo um pouco para “compor” o que será gravado.”

No dia seguinte (18 de dezembro), o Plano-B já havia respondido que topava marcar o show lá. Eu já cogitava pedir liberação do trabalho e ficar do dia 10 ao 20 de janeiro no Rio; qualquer coisa, trabalharia à distância, via internet: “veja se esse cronograma lhe agrada:
10 ida ao rio.
11 show no plano b – conta como um ensaio? acho que poderíamos fazer em duas partes, como os dois lados da fita
12 show no atira arte na geni [se der, idem]
13 gravação na audiorebel [ensaio 1h + 2h gravação]
17 show na quintavant
19 gravação na audiorebel [ensaio 1h + 2h gravação]
20 volta à belo horizonte
Dia 07 de janeiro surgem perguntas da Audiorebel: como irei gravar, o que vou usar (Jean está aflito, querendo falar comigo via telefone, meio de comunicação do qual me afasto). Dia 09 respondo: “queria uma caixa clara emprestado. dá pra fazer 4 caixas para mim? seria então, duas caixas amplificadas + duas caixas [ou amps, de baixo, tipo] com caixas de bateria na frente.” Depois, seguindo a conversa, digo que duas dessas caixas de som podem ser substituídas por amplificadores de baixo. Jean pergunta se o sinal do sintetizador dele seria mandado para amplificadores de baixo e guitarra também, para timbrar. Eu não respondo. Enquanto isso ainda esperamos confirmações do CCP/Quintavant. Parece que a Audiorebel tem algo marcado na data. O cartaz do Plano-B está pronto, em cima da hora: é necessário divulgar via e-mail (minha lista pessoal: a [iwao divulga]) e também fazer um evento no facebook e enviar convites aos amigos que residem no Rio, tarefa sempre fastidiosa.

2013-01-11 epilepsia (plano-b) cartaz

Dia 11 Jean me pergunta de manhã, se eu prefiro gravar no domingo, dia 13 – as datas ainda não totalmente fechadas (o que quer que isso queira dizer). Nesse ínterim, ele havia pedido para a Audiorebel um amplificador de baixo apenas para seu sintetizador, e microfones para gravar todas as caixas de som, além de um pedestal com um prato de bateria para usar. No dia 12 confirmamos gravar na segunda-feira, dia 14. O show do CCP está confirmado. Pouco antes, o da Geni tinha sido cancelado. A outra gravação ficou para dia 19, 14h. Como já íamos tocar, e como na verdade, não iríamos compor (compor era apenas um “discurso de compositor”), não haveria ensaios. O cronograma final ficou assim:

Epilepsia, janeiro de 2013, cronograma.

Dia 10: ida de Iwao, de BH ao Rio.

Dia 11: show no Plano-B Live Sessions, Plano-B, Lapa.

Dia 14: primeiro dia de gravação. 1 hora de montagem + 3 de gravação. Início: 18h. Audiorebel, Botafogo.

Dia 17: show conjunto com Chinese Cookie Poets na Quintavant, Audiorebel, 21h-22h.

Dia 19: segundo dia de gravação. Mesmo esquema de horas. Início: 14h. Também na Audiorebel.

Conversando com o pessoal, fechamos R$ 400,00 pela gravação. O show no Plano-B seria, como habitual, de graça e sem dinheiro. O show da Quintavant cobraria R$ 8,00 e dividiria parte da bilheteria entre os músicos. O evento Joga Arte na Geni tinha sido cancelado. Ficamos sabendo porque apenas na segunda-feira dia 14, quando saímos com Carol.

nome do grupo artístico: Epilepsia
nome do escritor: Henrique Iwao
nome do projeto: Álbuns 2013

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