Epilepsia 3.

MC Mangusto, Reverendo Lontra

Diário de Gravações, 2013, por Henrique Iwao.

3. Conversa com TOC Label

Havia conversado ano passado, em dezembro, com J.-P. Caron sobre lançar um álbum do Epilepsia. Comentei da possibilidade de lançar uma fita cassete pela gravadora carioca TOC Label, comandada por Cadu Tenório.

Em janeiro, no dia 11, troquei mensagens, via facebook, com Cadu. Dizendo que seria legal lançar algo pela TOC e marcando de conversarmos. Eu não sabia que Jean iria lançar o álbum do -notyesus> pela TOC e que queria variar um pouco de gravadora, a princípio. Conversei com ele, em separado, talvez no mesmo dia, pouco antes do show no Plano-B, e ele me disse que poderíamos ver se havia outras gravadoras interessadas, de repente Mirror Tapes ou Hospital Productions.

Eu fiquei um pouco sem graça, considerando minha troca de mensagens com Cadu prematura, mas tudo bem, não tinha fechado nada com ele, apenas disse que iríamos conversar.

Após o show do Plano-B, e a boa recepção do mesmo escutei a gravação feita com um Zoom H2 do show e achei-a muito boa. Foi feita de maneira bastante prática – como uma documentação sonora mesmo, o gravador posicionado do outro lado da loja de discos sobre os discos que ficam no alto, mais ou menos na posição central (para garantir a imagem stereo). Falei com Jean sobre isso, a documentação estar suficientemente boa a ponto de servir como música (a ser reescutada). A ideia seria lança-la via TOC label e trabalhar as gravações no estúdio para um lançamento posterior, com uma gravadora a averiguar.

Jean ficou animado, mas já disse que era difícil para ele reouvir shows, dado que muita coisa não estaria na gravação. Que ele normalmente sentia falta das sensações (?) e do contexto em que estava tocando, que a memória da experiência de escuta e performance normalmente entrava em conflito com a escuta das gravações de alguns de seus shows. Eu disse que eu não tinha um problema com isso, principalmente porque eu raramente me reconhecia tocando, através do som de gravações. (Isso agora me soa um pouco exagerado, mas não falso – de fato, se por um lado eu costumo gostar bastante da minha própria música, por outro eu sempre tenho problemas em identificar como e por que fiz muitas dos sons, estruturas, escolhas, e por vezes também como eu fui capaz de fazê-las).

Mais tarde, no final de janeiro, Jean me informou que tinha reouvido o show e achado bom, mas tinha ouvido sem grande atenção ainda, que precisava reouvir. No sábado dia 09 de fevereiro perguntei a Jean se ele tinha reouvido a gravação do show no Plano-B, ao que ele respondeu, “já mandei para Cadu e para Miazzo”. Cinco dias depois perguntei quem era Miazzo. Vários dias se foram, e Miazzo era o companheiro do Cadu que também lidava com a TOC label (com o qual nunca tive contato algum, não que me lembre).

Então agora era falar com Cadu (esqueci rapidamente que teria de falar com Miazzo e prossegui apenas tratando com Cadu). Já tinha mexido um pouco na gravação: normalizada, com pequenina compressão em uns poucos pontos onde os transientes estavam fortes demais (ataques de ruído); foi também ajustada (cortes no começo e final da gravação). Entreguei o arquivo para Jean, ele deve ter passado pra Cadu, então perguntei por isso, dia 14 de fevereiro. Estava ok, Jean passara, sem nenhuma recomendação a mais.

Pequena discussão sobre compressão multibanda e o formato fita K7. “O efeito da compressão depois que passa do digital pra fita as vezes é meio imprevisível. Mas tu quer fazer isso e me mandar pra eu ouvir já com os ajustes?” Respondi que não. “Ouve aí primeiro. Se topar lançar me passa as infos de formatos etc, e também arte necessária”.

Uma semana depois pergunto se ele ouviu, ele diz que está no ponto para ouvir, mas anda ocupado, trabalhos (artísticos) e falta de trabalho (com remuneração melhor). Dia 5 de março ele me pede para passar a gravação de novo. Digo que passo, preciso fazer upload no meu dropbox, pasta pública, que acho mais fácil, mas com a internet que tenho agora, em Belo Horizonte, o upload é bastante lento, demorará mais de 10 horas. Vou passar o arquivo crú, bruto. Pergunto do lançamento do -notyesus> (que é um álbum que está a muito para sair, é, na minha concepção, o chinese democracy da música experimental brasileira, o que faria o -notyesus>  o guns’n’roses do noise carioca!!!), parece que vai sair em março (na verdade, não sairá). No dia seguinte, de manhã, mando o elo para baixar o arquivo de áudio. Peço para ele me avisar quando o fizer, para poder tira-lo do meu dropbox, pois ocupa 1/3 dele.

No 16 de março, Cadu diz, via facebook, mensagem: “é bacana o resultado bruto, gostei dos diálogos no inicio inclusive, vai ficar legal com os médios aumentados na fita. tem um bom tempo antes de começar mesmo né, a galera falando, mas isso é legal, o lance é fazermos uma fita single side, vou tentar achar C45.” Aviso que a gravação no total dá uns 70 minutos e que o melhor seria fazer dois lados de 30 mesmo, diminuindo um pouco do começo e do final, justamente as pessoas falando etc… Pergunto se tenho que masterizar ou se ele o fará. Ele aconselha a masterizar, “pra dar uma pressão nos médio graves pelo menos na capacidade da fita… mas pode subir os graves que na conversão a fita faz o resto do trabalho”, e também que eu faça os cortes de início e final (e algum interno – talvez um trecho em que alguém do público grita e aparece na gravação de forma pronunciada). Quando Cadu passar pra fita K7 me mandará de volta digitalizado de novo, para eu sentir como a coisa se comportou frente à mudança de mídia (considero meu fone flat enough para essa comparação entre mídias – isto é, com uma faixa de resposta de frequências que distorce pouco a translação entre áudio e som, entre o som gravado e o reproduzido). Isso porque, como apontado acima, a fita translada o áudio de uma forma bastante peculiar, com uma resposta de frequências puxada para o agudo. Além do mais, como a resposta de intensidade da fita é reduzida em âmbito, e o nível de ruído de fundo de reprodução é alto, é preciso masterizar para diminuir o âmbito de intensidade da própria gravação, e cuidar para que sons pouco intensos não venham a ser eles mesmos mascarados pelo próprio sistema de reprodução.

Cadu também pede para que seja lançado em junho, pois o lançamento do -notyesus> atrasou, ele está enrolado, mudança de casa e vida, demissão. Ainda terá de conseguir o fundo de garantia, no final de abril estará ainda desempregado. Seus projetos artísticos, entretanto, vão bem, tanto Victim! , quanto o Sobre a Máquina – cuja remessa da prensagem do disco tinha acabado de chegar, pra felicidade dele. É sempre bom lembrar que em gravadoras independentes ao menos, sai mais dinheiro do que entra. “a gente recebe muito mais like e compartilhamento das fotos das fitas do que vende as fitas…”.

2013-04 desenho danilo 1

Enquanto isso, paralelamente, estou procurando pessoas para fazer a arte dos álbuns do Epilepsia. Penso em chamar Danilo Barros, mas também Phillipe Dias (que eu chamava antigamente de Bacana). Para esse projeto, a ser lançado pela TOC, penso em usar arte de Danilo. Em 19 de fevereiro falo com ele via skype, e complemento mandando os nomes fantasia dos integrantes do epilepsia: Reverendo Lontra; MC (Urso) Mangusto. Em 05 de março, complemento, a pensar num nome para o álbum: “Death Raving: Delirando Mortes – Epilepsia Ao Vivo no Plano-B (Live at Plan-B)“.

Dia 20 de abril falamos de novo, em virtude de uma apresentação que faremos eu ele e Marcelo Muniz (P-Blob VVA + Tábua Mobile). Pergunta se vai ser em abril ou maio, eu digo que, em Belo Horizonte, só possivelmente em agosto ou setembro. Peço para que ele mande os desenhos, mesmo rascunhos que fez. Até agora nada.

2013-04 desenho danilo 2

 

 

nome do grupo artístico: Epilepsia
nome do escritor: Henrique Iwao
nome do projeto: Álbuns 2013

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