Olhos de Ressaca? Vá, de ressaca.

*Em 28 de fevereiro de 2013 defendi meu Mestrado. A pesquisa propôs um estudo da minissérie Capitu, da Rede Globo, para um pronunciamento sobre o estilo do diretor Luiz Fernando Carvalho e o processo de encenação da obra. Abaixo, mais do que um relato sobre o processo criativo ou sobre a pesquisa em si, um relato sobre os muitos encontros que aconteceram nesses dois anos.

Em uma de suas muitas anotações, o diretor Luiz Fernando Carvalho comenta que se pudesse resumir o Projeto Quadrante, do qual a minissérie Capitu faz parte, em apenas uma palavra, diria: encontros. Esses processos trouxeram para sua caminhada algumas pessoas e acontecimentos que, de uma maneira ou outra, foram fundamentais para que pudesse lançar a primeira minissérie do projeto, A Pedra do Reino.

Para além do processo de uma pesquisa científica, como leituras, fichamentos e muita, mas muita escrita, acredito que encontros, ou mesmo desencontros, também resumem parte dos acontecimentos que, por um acaso irônico, muitas vezes estiveram presentes em minha pesquisa.

Dentre eles, destaco alguns que foram de fundamental importância: após uma troca de e-mails com Randal Johnson, pesquisador da UCLA, recebo um convite para participar de um curso sobre a obra de Luiz Fernando Carvalho no Rio de Janeiro. Tragado pelo mar em ressaca, ajeito tudo às pressas e parto para a cidade de Machado de Assis. Uma vez lá, no curso, reencontro a crítica Ilana Feldman, que seria uma grande inspiração para entender o trabalho do diretor. Além dela, Edna Palatinik, roteirista da minissérie que me ajuda com o envio dos roteiros originais que tinha em seu computador, Camila Azevedo, assessora de imprensa do diretor que me presenteia com suas anotações pessoais enquanto a minissérie era gravada ou até mesmo Carla Made, assessora pessoal do diretor e que me ajudou muito no processo. Ainda no Rio, um acontecimento marcaria minha estadia na cidade: certo dia, em um ônibus, lendo um trecho de Dom Casmurro que tinha como pano de fundo o bairro da Urca, olho ao redor e percebo que estava no ônibus errado. Ao perguntar ao motorista, nada a se preocupar, descubro: “A gente passa primeiro pela Urca”.

Muitos outros encontros vieram, conheci Rodrigo Benatti, um artista e amigo fantástico, o qual descobri ser amigo de César Cardadeiro, o Bentinho da minissérie, para quem diz que vai levar meus estudos. E o mesmo Rodrigo me apresenta Raquel Couto, que em uma conversa, descubro ser quem, em viagem a Minas, liga para Luiz Fernando Carvalho e diz: “Temos que filmar Lavoura Arcaica aqui”. Com outros e-mails inesperados, um encontro fortuito com uma ex-assessora de imprensa da TV Globo em um táxi dividido no Rio de Janeiro e o reencontro já no fim da jornada do Mestrado com Ilana Feldman numa chuva torrencial em São Paulo, fui vendo que muito mais do que um texto, a pesquisa deveria, sobretudo, atentar para os encontros e se deixar levar, pois os acasos também faziam parte do processo.

Na última noite antes da entrega da dissertação, quando peguei os DVDs da minissérie que enviaria aos professores da banca, me perdi em São Paulo. Ao olhar para as placas, descobri que estava na rua Machado de Assis e dessa forma, com um sorriso de canto, entendi que, na verdade, estava no caminho certo.

Fernando Martins Collaço

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One response to “Olhos de Ressaca? Vá, de ressaca.

  1. O uso banalizou “tocante”, “emocionante”, “inspirador”, então ficou bem difícil explicar o quanto fiquei comovida, com olhos úmidos e aquela pequena alegria no peito. Estou ansiosa por ler.

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